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Empreendedorismo
Definições atualizadas: criatividade, empreendedorismo e inovação
07/01/2019
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Que tal fazermos 2019 mais simples? Não quero aqui amenizar as complexidades do mundo em que vivemos. É preciso reconhecer o incrível número de conexões que temos hoje, e muitas vezes nem percebemos. É preciso reconhecer também que essas incontáveis conexões promovem o compartilhamento de conhecimento e que, a cada compartilhamento, uma reinterpretação é feita deste mesmo conhecimento. As vezes, no meio de tanta troca, a gente complica as coisas mais do que precisamos.

Não é novidade pra ninguém que as organizações precisam inovar, certo? Todos nós ouvimos muitos e muitos especialistas clamar pela inovação como única possibilidade de sobrevivência, independente da sua área de atuação. E está tudo bem. De fato, inovar é parte da condição humana. Novas ideias inflamam nosso entusiasmo como gasolina. No filme A Origem, o personagem de Leonardo Dicapprio diz:

“Qual é o parasita mais resiliente? Bactéria? Um vírus? Um verme intestinal? uma ideia. Resiliente… altamente contagiosa. Uma vez que uma ideia se apropria do cérebro é quase impossível erradicá-la. Uma ideia que está totalmente formada – totalmente compreendida – ela se agarra; lá dentro, em algum lugar.”

Por outro lado, lemos que a inovação de verdade vem de grandes corporações com seus imensos departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento, ou de startups jovens e empreendedoras com milhões de dólares em investimentos. Ainda que seja o caso com frequência, essa não é uma verdade absoluta. QUALQUER UM pode inovar em seu próprio campo de jogo. É preciso PRÁTICA, mais do que dinheiro, para desenvolver ideias, tanto quanto trabalhar duro para fazer essas ideias acontecerem no mundo real. É preciso uma combinação de criatividade e empreendedorismo para inovar. Dinheiro vem quando é evidente que esta combinação está presente no time que busca uma oportunidade.

Então, se você quer de fato inovar, é melhor começar a trabalhar os músculos da criatividade e do empreendedorismo. Eles precisam de exercício, assim como todos os outros músculos do seu corpo. E, enquanto muitos compartilham citações populares nestes tópicos, as definições são romantizadas ou complicadas demais em busca de atenção ou precisão acadêmica, respectivamente.

Para manter as coisas simples este ano, eu proponho definições práticas dos três temas abordados: criatividade, empreendedorismo e inovação. Meu objetivo aqui é oferecer seus exercícios em 2019, para que você possa melhorar os resultados dos esforços que irá fazer.

O QUE É INOVAÇÃO?

Primeiro, vamos esclarecer inovação. Espero que, fazendo isso, será bastante objetivo entender porque precisamos dos outros dois para inovar. De forma simples (e não simplista), inovação é algo novo que dá certo. Essa definição enfatiza a necessidade para que algo funciona e crie valor. Ela esclarece que inovação não é apenas gerar patentes ou invenções. Estas podem fazer parte do esforço, mas não são inovações em si próprias. Porém, essa definição também deixa dúvidas. E está tudo bem. As perguntas nos guiam para compreender melhor a própria definição.

  • Pergunta 1: novo pra quem? Se é novo só pra mim e todos já conhecem minha ideia, ainda assim posso chamar de inovação? Você pode, se quiser. Claro! Mas é uma inovação de impacto limitado, que melhora apenas a sua própria empresa. É pra isso que serve benchmark! Você aprende algo novo com alguém e aplica à sua realidade, melhorando a sua performance. No entanto, se é algo novo para seu segmento de atuação ou para o mundo, você pode ter nas mãos uma inovação disruptiva com grande potencial!
  • Pergunta 2: por quanto tempo algo permance como “novo”? Honestamente, até que algo mais novo – e melhor – tome seu lugar. Este é o conceito do economista Schumpeter: a destruição criativa. O Nintendo Wii foi incrível no lançamento, mas falhou em se manter competitivo diante dos grandes consoles de video game, como XBox e PlayStation. Os combustíveis fósseis, no entanto, são a principal fonte de energia de nossa sociedade há mais de um século.
  • Pergunta 3: o quanto algo precisa “dar certo” pra ser inovador? De forma simples, a solução precisa ser melhor do que a existente na hora de oferecer valor para os clientes e usuários.
  • Pergunta 4: quem decide o que é “dar certo”? Se estivermos falando de inovação tecnológica, os resultados. Se a sua solução tem um desempenho melhor ou faz algo algo que antes não era possível fazer, é uma inovação, independente de custos e qualquer outra coisa. Se estivermos falando de inovação economicamente relevante, os mercados terão a palavra final. Neste caso, as vendas de um novo produto ou serviço vão determinar se dá certo ou não – e, portanto, se é uma inovação ou não.

“Inovação é algo novo que dá certo” também deixa claro que inovação é um RESULTADO. Neste sentido, não existem ideias inovadoras porque uma ideia é apenas o primeiro passo na criação de um produto ou serviço. Resultados vem depois. Ideias são cheias de POTENCIAL, porque assim como na física, potencial não faz nada por si só. É preciso libertá-lo.

INOVAÇÃO = CRIATIVIDADE + EMPREENDEDORISMO

Estamos aqui para inovar – para desenvolver algo no vo que dá certo, não é mesmo? Isso significa que nós precisamos, primeiro, descobrir algo novo. É aqui que a criatividade é necessária. É comum pensar que ela é uma habilidade, talento ou uma capacidade inata que alguns humanos privilegiados tem. Errado. Já se sabe que a criatividade é uma habilidade que todos nós temos. Alguns estão mais atentos a ela, alguns fazem melhor uso dela, e a maioria não tem confiança suficiente para colocá-la em prática. Mas é só isso que nos falta: confiança. Eu vou provar pra você… Acompanha o raciocínio.

Você acabou de ganhar na loteria. Parabéns! Você agora é um(a) milionário(a)! Como esse dinheiro vai afetar sua vida? Você consegue se ver com um carro melhor? Morando em outro lugar? Viajando o mundo, tomando drinks coloridos em alguma praia pardisíaca? Demais, não é?

Agora, me diz uma coisa… Como é que você foi capaz de imaginar toda essa nova vida, mas não consegue pensar numa forma de melhorar seu trabalho, que você faz todos os dias, da menor maneira que seja? É claro que você consegue, não é? Porque criatividade é a habilidade de imaginar realidades alternativas. Todos temos os recursos necessários para imaginar produtos, serviços e processos melhores. É o ambiente no qual estamos, ou nós mesmos, que diminuímos nossa confiança para usar esses recursos. Assim como a vida na praia, uma forma diferente de realizar o seu trabalho é uma realidade alternativa que não se realizaou – ainda.

Empreendedorismo agora se faz necessário. Se inovação é algo novo que dá certo, nós precisamos fazer esse algo novo dar certo! E, como todas as coisas novas, talvez a gente não consiga fazer certo da primeira vez. Essa é a razão pela qual admiramos empreendedores. Eles e elas são verdadeiros modelos de persistência. De tentar algo, falhar e aprender a fazer melhor. De novo, e de novo e de novo até que funcione. Nós precisamos APRENDER como fazer algo novo dar certo. Isso é empreendedorismo: a capacidade de fazer uma ideia dar certo.

Note que eu não disse que precisa ser uma ideia nova. É possível ser empreendedor (ou intra-preendedor) e não ser inovador. Ser criativo e ser empreendedor são coisas diferentes. Um empreendedor pode usar a ideia de outra pessoa e fazê-las darem certo – como é frequênte acontecer. Steve Jobs, fundador da Apple, tinha Steve Wozniak, Ray Kroc comprou a ideia dos irmãos McDonalds, e Mark Zuckerberg, do Facebook, perdeu na justiça a ação contra ele sobre a propriedade da empresa.

É extremamente RARO que o mesmo ser humano tenha alta capacidade tanto para criar quanto para empreender. O mundo em que vivemos é volátil, incerto, complexo e ambíguo (a famosa sigla VUCA). Parcerias, redes e diversidade são, com frequência, fundamentais para inovar porque nos conectam com novas ideias. E nenhuma dessas coisas precisa de muito dinheiro. Você pode fazer parceria com seus fornecedores, expandir sua rede participando de feiras, eventos e seminários, ou até mesmo organizar encontros para debater assuntos sob diferentes perspectivas. Comece com passos pequenos e simples. Conecte-se. 2019 promete ser um grande ano!

 

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