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QUE CONFUSÃO É ESSA?
19/04/2018
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Carro autônomo, drones, gadgets robôs e inteligência artifical. Afinal, o que é inovação?

É de tirar o fôlego, não? São tantas notícias de novas tecnologias que vão mudar a forma como trabalhamos, vivemos e interagimos que é até difícil imaginar como vai ser o futuro. Talvez por isso a nostalgia e o desejo de voltar ao passado estejam tão presentes na moda, nas refilmagens do cinema e nas ideias políticas de alguns. Todavia, precisamos reconhecer que voltar ao passado não só é impossível, como também é uma péssima idéia. Uma alternativa mais inteligente para as empresas é arregaçar as mangas e compreender como aproveitar as oportunidades que esse futuro reserva.

Primeiro, é preciso perceber que a regra fundamental do mercado é a inovação. Ela reduz custos, aumenta a produtividade e a percepção de valor dos clientes. Acima de tudo, a inovação cria monopólios temporários. Ou seja, ela proporciona oportunidades de explorar um produto ou serviço que ninguém mais oferece, um espaço sem concorrentes. Não há vantagem competitiva maior do que essa. Compreender inovação sob a perspectiva estratégica é, portanto, um esforço urgente para as organizações.

E é exatamente daí que vem a confusão. Em virtude dessa urgência pelo tema, todos querem um pouco da atenção que ela atrai. Observamos a presença quase obrigatória do termo nos textos de negócios atuais, enquadrando tudo e qualquer coisa na categoria. Sem o devido entendimento, líderes se sentem impotentes e pressionados pela concorrência e pela expectativa de que, a qualquer momento, uma inovação vai acabar com sua empresa. Isso os leva a pressionar as equipes, criando um clima de emergência onde reina a insegurança e as pessoas passam a propor – e aprovar – qualquer mudança como sendo uma inovação.

Para aumentar a compreensão, defino inovação simplesmente como “algo novo que dá certo”. Esse conceito é dividido em duas partes: “algo novo” e “que dá certo”, porém ambas precisam estar presentes em uma mudança para entendê-la como inovação. E ambas podem gerar questionamentos. “Novo pra quem?” e “o que é dar certo?” são algumas das perguntas comuns.

O grau de novidade de uma determinada oferta determina o potencial transformador que ela tem. Se é nova apenas para uma empresa e já existente nos concorrentes, é uma inovação para aquela empresa, mas terá um impacto limitado ao desempenho daquela empresa. Se falamos de algo novo para o mundo, há um grande potencial de geração de resultado e de criação do tal “monopólio temporário” de que falamos.

A segunda parte de nosso conceito, “que dá certo”, para efeitos de competitividade das organizações, está diretamente ligado ao desempenho dessa novidade no mercado. Se os clientes passam a optar pela sua empresa em detrimento de seus concorrentes, você inovou. Caso contrário, o que sua empresa pode aprender para acertar na próxima?

Ambos os desafios, criar algo novo e que dê resultados para a organização exigem ferramentas e modelos de gestão diferentes do que vemos nas empresas. Criar novidades exige criatividade, tolerância ao erro e incentivo a ideias que, a princípio, parecem ser desconexas e absurdas. Porém profissionais corajosos o suficiente para oferecê-las são julgados como tolos ou infantis. Por outro lado, fazer dar certo exige co-criação com clientes, parceiros e equipes multidisciplinares. Exige a experimentação rápida e a oferta de produtos inacabados que envergonham a maioria das empresas estabelecidas.

O que torna a situação ainda mais grave é que essas são habilidades que a maioria das empresas nem percebe que precisa desenvolver. Há uma profunda desconexão entre o que as empresas desejam e o que elas fazem em suas rotinas, e é isso que provoca a angústia que nos tira o fôlego. Não é a tecnologia, e sim a nossa inabilidade de lidar com mudanças que sufoca. Esse é o primeiro passo para perceber que a melhor forma de lidar com o futuro é construindo-o.

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Marcelo Lage é mestre em gestão da inovação, conhecimento e dinâmica empreendedora pela Universidade de Aalborg, Dinamarca; professor universitário e fundador da Startify.

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