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Bebês tomam café?
28/08/2017
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Uma das minhas grandes motivações para compartilhar tudo o que sei é facilitar a transformação que as pessoas desejam ver no mundo. Recebo pelo menos uma pessoa, toda semana, pra um café e para conversar sobre seu negócio, sua ideia ou sobre a situação de sua vida e/ou seus negócios. É legal ouvir o desabafo e a angústia de cada um ou cada uma e poder, de alguma maneira, lançar uma luz diferente sobre o problema que vivem. E, uma das perguntas que mais gosto de fazer é: QUE PROBLEMA VOCÊ ESTÁ RESOLVENDO?

Aprendi essa pergunta com o prof. Vicente Falconi, enquanto eu ainda trabalhava na Vale. Dentre as grandes oportunidades que tive por lá, estudar o método de gestão sob a batuta deste guru foi uma delas. E, como todos que estudaram seus livros sabem, o primeiro passo do PDCA é a identificação do problema. Uma etapa simples, quase trivial, mas que faz toda a diferença. Muitas das discussões que tive na mineradora eram simplificadas e feitas mais objetivas com essa pergunta. Isso ocorre porque problemas complexos podem ser percebidos por diferentes ângulos, e nós, seres humanos, temos o péssimo hábito de só enxergarmos o nosso. Assim, enquanto um médico enxerga a diabetes como sendo uma consequência genética ou de uma alimentação desequilibrada em nível individual, um sociólogo vai apontar o sistema social que incentiva o consumo de produtos industrializados preparados com foco em baixo custo, não em saúde ou nutrição.

Esses diferentes pontos de vista podem ser usados como ponto forte de uma equipe, claro. No entanto, a experiência dentro das empresas é, normalmente, o contrário. Por isso a importância de se perceber quando o time começa a puxar cada um a para um lado – ou pior, a empurrar a culpa para o lado do outro. Acontecimentos assim levam à perda do foco no problema e transformam o que poderia ser uma grande oportunidade de aprendizado e crescimento em um verdadeiro jogo de empurra. Pra piorar, temos o desejo de resolver todos os problemas de uma vez por todas, e a tendência de querer fazê-lo de uma só vez. Vamos encaixando tudo debaixo do mesmo problema, com ótimos motivos para isso. Seja porque “já que vai pedir uma vez, pede logo várias” ou porque “já que vai parar a produção,  vamos logo fazer esse outro também”, vamos criando um verdadeiro “frankenstein”, juntando na mesma proposta uma série de pedaços que se propõe a “resolver tudo logo”. Ou seja, o que era pra ser um probleminha, vira um “problemão”.

Vivemos sob a ilusão de que um grande dia de trabalho é um em que há completa ausência de problemas, como se não surgissem novos todos os dias. Ou ainda, parece que, sob essa ilusão, esquecemos que alcançar a meta é um problema. Em sua essência, estabelecer metas é exatamente criar problemas! Problemas pequenos, claro, que possam ser trabalhados um dia de cada vez.

Me lembro que, quando fiz o curso da Toyota sobre o Pensamento Enxuto, uma das coisas que mais me chamou atenção foi um slide com a imagem de um bebê. Lá pelos finalmentes do treinamento, depois de dias de fotos e vídeos com exemplos de atividades industriais e máquinas e ferramentas e andanças pelo processo produtivo, aparece o tal bebê. O motivo dele? Babysteps – passinhos de bebê. Ninguém nasceu correndo e jogando bola ou dançando. A gente começa fortalecendo o músculo do pescoço para segurar a cabeça. Depois, aprende a sentar, a engatinhar. Quando ficamos de pé pela primeira vez os pais se encantam e passam nos dar a mão para que possamos ensaiar os primeiros passos, e muitos mais depois disso. O bebê estava lá para nos lembrar que toda transformação começa com um pequeno passo.

Nas organizações, esses pequenos passos se dão com soluções pragmáticas e metódicas, um problema de cada vez.  Ao perguntar “que problema você está resolvendo?”, você resgata a equipe para o foco e concentra as atenções e esforços para uma discussão construtiva. Mais do que isso, a pergunta força o time a refletir qual o pequeno problema precisa ser focado no momento. É importante guiar essa reflexão, para impedir que se caia na armadilha do problemão. Devemos focar em obter uma resposta objetiva e mensurável, como manda o prof. Falcone. Até porque, muitas vezes, a solução está na forma como você faz a pergunta. Mas isso é papo pra outro café.

E você? Que problema você está resolvendo? Deixe nos comentários o seu e, em meio à correria – e aos cafés – da semana, eu prometo que acho um tempo pra refletir contigo sobre a situação. Topa?

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