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4 consequências da educação brasileira para as empresas
10/07/2017
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Não é novidade a situação da educação no Brasil. Evasão, péssimas condições de ensino, professores sem preparação e/ou sem incentivos, currículo atrasado e engessado, dentre outros tantos pontos que eu poderia citar, mas não vou. Me recuso por uma questão de coerência. Meu post é exatamente sobre a nossa falta de profundidade em nossas discussões. E por isso, neste momento, me permito ser parte do movimento de assoreamento dos debates que nos assola.

A preocupação deste texto é, na verdade, com as consequencias para nós, cidadãos brasileiros, empresários e trabalhadores, dessa educação pobre. Vamos a elas? Enumera-las-ei para justificar o título caça-cliques do post.

1. Conflitos na hora de recrutar e selecionar pessoas

Recrutar e selecionar pessoas é um desafio de tempo x investimento. Se você quiser achar a pessoa ideal para uma vaga, provavelmente levará tempo ou precisará investir mais do que gostaria em consultorias. Ou ambas as coisas. A alternativa à essa espera é o empresário se contentar com “o que apareceu” nas convocações de candidatos que fez, ficando ele à mercê do acaso. Será que o verdadeiro talento de que ele precisa viu o seu anúncio nas redes sociais? Se ele resolver por esperar alguém com perfil adequado, o trabalho fica parado e a empresa sofre.

2. Aumento do tempo de retorno sobre os investimentos em treinamento

Empresas investem em capacitação de seus funcionários para aumentar sua produtividade. Isso pode acontecer com a introdução de novas ferramentas técnicas para análise de dados, ou execução de alguma tarefa; ou através do desenvolvimento comportamental de seus colaboradores para melhorar as relações humanas e o trabalho em equipe. Quando há baixa capacidade de absorção por parte das pessoas, o retorno sobre esse investimento é afetado e o treinamento muitas vezes precisa ser repetido, ou ser construído em módulos. Isso tira o profissional do seu posto de trabalho por um tempo maior, e aumenta o tempo de retorno sobre o investimento feito. O ganho de produtividade mesmo, só vem mais tarde.

3. Baixo desempenho profissional

O Brasil tem um dos piores índices de produtividade entre os países industrializados. Já falamos sobre isso em um post aqui no blog. Em parte, isso se deve ao baixo desempenho dos brasileiros, que chega a ser 1/5 de profissionais americanos, por exemplo. Com baixa produtividade, precisa-se contratar mais, pressionando a margem das empresas e, consequentemente a sua capacidade de sobreviver às crises como a que vivemos. Não é de se surpreender que a reação principal nesses momentos são demissões massivas.

4. Análises raras e rasas

Os “diálogos” que acontencem entre brasileiros nas redes sociais são um exemplo claro deste ponto. O que vemos são compartilhamentos de posts com comentários rasos, do tipo “me representa”, ou “lacrou”; ou análises simplórias e unilaterais que repetem um mesmo mantra propagado nas redes de televisão. Quando há contra-argumentação na rede, vemos duas reações: (1) o autor do post original fica com raiva e convida o comentarista a parar de segui-lo (quando ele mesmo não bloqueia o sujeito); ou (2) ocorre um debate que se desgringola por uma diversidade de acusações e ataques que nada tem a ver com o argumento que originou a conversa. Em raras ocasiões, observa-se um debate de ideias que termina com um “Isso é conversa pro boteco. Bora tomar uma? Vamos marcar!”. Esse tipo de comportamento nas empresas se manifesta no formato de justificativas e explicações que nada acrescentam e isentam os profissionais de qualquer responsabilidade. “Mas foi o que me passaram”, “isso aí tem que ver lá com pessoal do outro departamento”, e “a gente não tem tempo pra ver isso” são alguns dos exemplos que me vem à mente.

O que podemos fazer?

Indo diretamente aos pontos de ação, o primeiro a fazer é estimular as pessoas a ir além do simplório. Se você é líder, tem a obrigação de perguntar “Por que?” no mínimo umas três vezes, sempre que alguém chegar com alguma explicação mais ou menos. Mas o bom mesmo seriam cinco vezes. E com fatos e dados (e fotos) para evidenciar as explicações. Não se contente com explicações rasas! Pergunte, levante-se, acompanhe e faça junto. Mostre como você quer que seja feito e passe a cobrar que seja feito sempre assim.

Produza e/ou compartilhe conteúdos que são diferentes da massa. Um bom exemplo de quem tem feito algo nesse sentido é o programa da HBO, Greg News, com o Gregório Duvivier. Se você é um dos críticos dele, convido você a deixar de lado um pouco suas críticas e analisar como ele conecta FATOS no programa e monta narrativas interessantes sobre os acontecimentos do nosso país. A análise dele sobre impostos é particularmente interessante para reavaliarmos o mote “a carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo”.

Por fim, invista em metodologias e ferramentas que ajudem seus colaboradores a adotarem um novo comportamento. Capacitação não é só treinamento! Existem outros formatos de trabalho como mentorias que podem ajudar, estimular e acompanhar o desenvolvimento de novos comportamentos e a adoção de novas técnicas de trabalho. Mostre interesse e vá mais fundo em suas análises. Exija isso de sua equipe. e dê a ela as ferramentas e os recursos para tal. Ou você faz, ou espera por uma solução do governo. Qual a sua escolha?

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