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Negócios que impactam
16/12/2016
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Aprendi há alguns anos que inovação é fruto da colisão de diferentes conhecimentos. Imagine o tamanho do desafio para promover essas conexões no mundo de hoje em que tudo é customizado, feito sob medida para os seus gostos. Até sua “rede social” pode ser controlado com um unfollow. Tanto poder pode ser muito bom, porém corremos o risco de criar uma bolha onde todos dentro dela se tornam ecos uns dos outros. Isso nos leva à impaciência com o diferente, comportamentos intolerantes e, consequentemente, redução da capacidade inovativa.

 

Nesse sentido, fiz um exercício na semana passada de me expor a uma experiência que sou, à princípio, bastante resistente. Participei de um workshop do SEBRAE e Anprotec sobre negócios sociais. Admito: quebrei a cara – e alguns preconceitos. O evento foi organizado em parceria com o ICE – Instituto de Cidadania Empresarial, cuja equipe organizou conteúdo de excelente qualidade, mesclando os casos de empreendedores de Moradigna, BRAERG, Brasil Ozônio e Kidopi, com palestras sobre os negócios de impacto. Tivemos, inclusive, a presença de uma representante da ONU para dimensionar os desafios que ainda precisamos superar no Brasil e no mundo – e a importância que o setor empresarial tem nessa jornada.

 

Tanto conteúdo despertou uma nova perspectiva sobre os negócios. Talvez para você, leitor, e para os meus colegas de workshop de todas as regiões do Brasil, não seja nenhuma novidade. No entanto, percebi que hoje existem diferentes posicionamentos dentro do espectro social-financeiro de propósito organizacional. Se antes uma organização ou tinha fins lucrativos ou ela pertencia ao 3o setor e vivia de pedir dinheiro como filantropia, hoje existe diversidade nessa escala. A Moradigna, por exemplo, faz reformas de baixo custo para as classes CD que moram em regiões da periferia de São Paulo – com lucro, ainda que pequeno. E certamente é revigorante ouvir uma jovem empresária/cientista negar um contrato milionário com um laboratório de São Paulo só porque eles pediram exclusividade. Para ela seria inconcebível limitar o acesso das pessoas às suas soluções mais baratas por motivos como competição empresarial entre seus clientes.

 

Este segundo caso, da BRAERG, é interessante por outro motivo. A empresa foi fundada por quatro sócios. Eles se conheciam e tinham alguns elementos comuns em sua história de vida. No entanto, a empresa só foi fundada depois de um alinhamento profundo entre eles sobre valores pessoais e como eles seriam transferidos para o negócio. E no fundo, é isso que as organizações refletem: os valores de seus gestores. Um número crescente de empresários e investidores acreditam que suas ações fazem diferença na solução dos desafios do mundo. Por isso moldam suas organizações para se adequar às necessidades das pessoas que desejam atender.

 

Nesse sentido, quero compartilhar um papo que tive com um colega do workshop, o Marcelo Rocha, que trabalha na Abanca.org, uma produtora cultural social de Jardim Ângela, periferia de São Paulo. A dica dele é valiosa para quem quer iniciar um negócio de impacto social ou que seja focado no resultado financeiro.

 

“É muito comum alguém chegar na quebrada achando que sabe o que a comunidade precisa. O que as pessoas querem é ser ouvidas. Pode até ser que você não vai ouvir da boca delas a solução, mas você precisa conviver com elas para descobrir o que de fato é a necessidade delas. Assim você conquista autoridade para propor mudanças e realizar seu propósito ali.” (Reprodução aproximada)

 

Mas se só o que você ouve é o eco dentro da sua bolha customizada, dificilmente você vai conseguir perceber valores e necessidades diferentes das suas. E aí, as suas “soluções” para os problemas no trabalho, para os seus clientes ou para os desafios sociais e ambientais do mundo podem acabar por não resolver nada para ninguém. Exponha-se ao diferente! Que 2017 traga oportunidades para você colidir o que sabe com o que nunca ouviu falar.
Encerro esse texto agradecendo mais uma vez à equipe do ICE, SEBRAE e Anprotec e aos colegas de incubadoras e aceleradoras de todo o Brasil que lá estavam, desafiados a apoiar e fomentar mais negócios de impacto social e ambiental.

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