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É hora de agir
22/11/2016
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O setor empresarial capixaba tem uma capacidade de se reinventar invejável. Medidas drásticas são comuns por aqui na área econômica. Começamos nossa história com a política de “barreira natural”, erradicamos os cafezais e vivemos nos últimos 20 anos a revolução provocada pelo desenvolvimento de fornecedores locais, transformando o setor metamecânico. Sobrevivemos a essas pequenas revoluções e fortalecemos a economia com cada uma delas.

O atual Governo do Estado apoia o desenvolvimento ecônomico e aumento da competitividade. Ações estão sendo realizadas para desburocratizar a abertura de negócios; um trabalho ativo de atração de empresas com ofertas de financiamentos e incentivos diferenciados tem sido feito; além das potenciais parcerias que tem buscado para investimento na melhoria da infraestrutura logística, um dos principais diferenciais do Espírito Santo.

No entanto, ainda que essa capacidade de responder às necessidades e o apoio do governo sejam louváveis, elas tem em seu cerne uma característica preocupante: a reatividade. Enquanto o mundo descobre e experimenta novas tecnologias e possibilidades, nós investimos em um modelo de desenvolvimento do século passado.

Os avanços recentes da robótica, da biotecnologia e da nanotecnologia levaram especialistas a chamarem o que vem por aí de a quarta revolução industrial. Estamos prestes a viver a reinvenção do que significa ser humano. As transformações serão tão profundas, que é difícil prever o que elas significam, e como será o mundo em que viveremos. Nesse sentido, o Espírito Santo está, mais uma vez, assistindo às mudanças e terá que se reinventar no futuro – se der tempo.

Participei essa semana da Rio Oil & Gas, maior feira do setor de petróleo e gás da América Latina, promovendo um debate sobre inovação e startups na Arena de Tecnologia. Esta foi realizada pela primeira vez no evento, através de uma parceria do IBP com a aceleradora capixaba Start You Up. O espaço pioneiro trouxe empreendedores para apresentarem suas soluções para um jurado de investidores e representante de empresas do setor como Repsol. A conclusão foi bem recebida pelo setor: é preciso se antecipar às mudanças.

As apresentações contemplaram, por exemplo, um software para agregar informações marítimas e meteorológicas difusas, que foi a terceira melhor avaliada pelos jurados. A segunda colocada foi um kit para análise química da qualidade de combustível em até 20 minutos e no local, muito diferente das análises demoradas e caras que são feitas hoje. A primeira colocação ficou com um software capaz de simular milhares de configurações possíveis para instalação da plataforma de extração de petróleo e gás. Hoje, esses estudos iniciais são feitos manualmente, limitando as decisões a apenas cinco configurações possíveis. Esses são exemplos de que existem oportunidades para quem deseja fazer inovação, em vez de falar enquanto espera por um parque tecnológico há mais de duas décadas.

O recado das startups para os participantes da feira e que trago para o Espírito Santo é a obrigatoriedade de agir. As sugestões são experimentar novas relações com o setor acadêmico, que muito se expandiu e não tem mais a burocrática universidade federal como único representante; experimentar novas tecnologias; e começar a aprender como construir o novo cenário mundial. As oportunidades são inúmeras, e o Espírito Santo sempre se disse conectado com o mundo. É hora de usar essas conexões e começar a se reinventar, desta vez, de forma próativa.

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Texto publicado originalmente no Jornal A Tribuna em 11 de Novembro de 2016.

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