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Sistemas ruins ganham de pessoas boas
06/06/2016
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No momento em que o país se dedica a revirar a lama em que afundou, fica clara a falência do nosso sistema político, levando consigo nossa economia, os negócios e a qualidade de vida dos brasileiros. Não temos mais como fugir da responsabilidade de mudar o país que vivemos. Continuar a fazer vista grossa para as falhas sistêmicas é perpetuar o modelo falido que levou à situação em que vivemos.

E se é para propor mudanças, não há nada mais fácil do que reclamar. Mas não pretendo reforçar este coro. Minha intenção aqui é incentivar você, caro leitor, a fazer as mudanças que você pode fazer. Seja no seu âmbito de trabalho ou na sua vizinhança, por todos os lados existem sistemas que precisam de melhoria para evitar o conflito entre pessoas e, eventualmente, a corrupção.

Quando falo de sistemas, quero dizer a combinação de 3+1 elementos:

1. Atividades. Nossas atividades nem sempre são claras ou nos permitem identificar problemas durante sua execução. Isso permite que erros aconteçam, e pior, avancem ao longo do fluxo de trabalho. Imagine um formulário que chega para análise incompleto ou um produto que chega ao cliente final faltando uma peça.

2. Conexões. Nem sempre é claro o momento que uma atividade termina e outra começa. Na melhor das intenções, ou por ordem do superior (“para o funcionário não ficar parado”) um programador pode se antecipar às especificações do cliente e depois precisar corrigir. E se faltar tempo diante de outras demandas? Com quem ele fala? Como funciona a cadeia de ajuda?

3: Fluxos. O caminho pelo qual passam informações, pessoas e materiais podem ter muitas variações, causando confusão. O problema aqui é abrir espaço para uma decisão desnecessária. Pessoas diferentes podem ter diferentes interpretações sobre a mesma situação e isso leva a fluxos variáveis, podendo afetar a qualidade e produtividade da empresa.

+1. Experimentação. Toda mudança, seja em atividades, conexões ou fluxos, é um pequeno passo em direção ao desconhecido. Nesse sentido, por menor que seja, gera desconfiança e desconforto para aqueles envolvidos. A experimentação fundamentada em fatos, dados e resultado é crucial para deixar de lado conflitos de opinião onde vence quem é melhor articulado ou quem fala mais alto, e não quem tem a melhor proposta para a empresa.

Meu convite é para que você comece a olhar para os conflitos em busca de problemas – e não de culpados. O conflito no seu prédio pode ser causado por diferentes interpretações por falta de clareza na comunicação. O erro do seu funcionário pode ser, na verdade, um erro seu ao não deixar claro para ele o resultado esperado do trabalho dele.

Acredite, todos queremos deixar nossa marca no mundo, ainda que seja dentro dos limites do nosso dia-a-dia. Cabe a você, líder, deixar claro para sua equipe como elas podem fazer isso e ajudar toda a organização a crescer. Fazendo a sua parte, começaremos a corrigir os sistemas. E quem sabe o seu exemplo sirva de inspiração para que outros a sua volta também o façam.

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Artigo publicado originalmente na revista TI Espírito Santo, ano 2, número 9, página 25. A revista é uma publicação do SINDINFO – Sindicato das Empresas de Informática no Estado do Espírito Santo.

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