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Novos caminhos para o crescimento do Espírito Santo
27/10/2015
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Em 2005, eu tive a grande oportunidade de trabalhar com o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF), programa idealizado pelo consultor Durval Vieira de Freitas e que hoje é coordenado pela Findes. Trabalhei na segunda fase do programa que havia tido sua primeira onda na década de 1990 quando foi, em parte, responsável pelo crescimento de empresas como Imetame, Fortes Engenharia, e Estel, grandes em seus setores aqui no Espírito Santo e no país. Não há dúvidas de que a conexão proporcionada pelo PDF entre as grandes indústrias produtoras de commodities e as empresas locais alavancaram a economia do Espírito Santo. Me sinto honrado de ter participado dessa história, ainda que brevemente. Porém, 10 anos depois, vejo que precisamos de um novo salto.

Nosso estado tem um território pequeno e todos os municípios sofrem algum tipo de impacto dos grandes projetos industriais. Seja o trânsito na Grande Vitória, o pó preto da Ponta de Tubarão, ou os eucaliptos que substituem a produção agropecuária e aumentam o tráfego de caminhões por nossas estradas. Seja a questão da transferência de água entre Minas Gerais e o Espírito Santo através de minerodutos, ou os riscos de acidentes e desastres ambientais provenientes da indústria de óleo e gás, ou mesmo de novas dragagens para expansão de nossos portos. Mais recentes são os desafios da seca ocasionados pela não preservação das matas ciliares e a erosão das margens dos nossos rios. É difícil identificar um município no estado que não sofra o impacto dos agentes econômicos. Nesse aspecto, o Espírito Santo é, talvez, um microcosmos dos desafios que se apresentam ao mundo.

Quero deixar claro que não sou contra o desenvolvimento econômico. Acredito que ele é necessário para gerar riqueza e renda. Mas é necessário um novo salto em capacitação para as empresas locais. Um salto que seja focado em desenvolver as capacidades necessárias para enfrentar os desafios trazidos pelo uso de um modelo insustentável e ultrapassado. Insistir nos caminhos que nos trouxeram até aqui só agravará os problemas que enfrentamos hoje. O próximo ciclo de desenvolvimento no estado será, como no resto do Brasil e do mundo, baseado em produtividade e inovação.

No entanto, precisamos superar velhos hábitos se quisermos alcançar o desenvolvimento e alavancar resultados por aqui. Nesse sentido, os empresários devem parar de esperar por soluções que venham do governo. Esse será um parceiro depois que o movimento for iniciado. Mas o investimento em produtividade e no desenvolvimento de melhorias de processos, produtos e serviços é, em primeiro lugar – e sempre será – do empresário. Somos nós que temos a obrigação de criar diferenciação para garantir a sobrevivência e o sucesso dos nossos negócios.

E nesse sentido, acredito que existem duas coisas que os empresários podem fazer. A primeira, é no sentido de expor e explorar as oportunidades de melhoria em seus próprios processos a fim de garantir menor custo, maior qualidade e flexibilidade em sua produção. O Pensamento Enxuto (ou Lean Thinking, Produção Enxuta), inspirado no Sistema de Produção Toyota, é um grande aliado. Tive a grande oportunidade de participar de treinamentos com a equipe da própria Toyota nos Estados Unidos, com ex-funcionários da Toyota do Brasil e desde então trabalho com esse sistema, há mais de 4 anos. Os resultados são sempre positivos, com o envolvimento da equipe e a eliminação de desperdícios que afetam diretamente a produção, a segurança, e a qualidade de vida dos empregados.

Outra ação que os empresários precisam começar a fazer é experimentar novos conhecimentos. Buscar soluções para outros segmentos de clientes, prototipar modelos de negócios alternativos para venda de seus produtos e serviços, disponibilizar novas tecnologias para que engenheiros e outros profissionais possam avaliar as possibilidades que se abrem com elas. Nesse sentido, parcerias com universidades e faculdades como Ufes, Ifes e as instituições particulares oferecem uma vasta mão de obra, sedenta pela aplicabilidade daquilo que estudam. Várias dessas instituições já oferecem laboratórios, espaços e mecanismos para essa integração ocorrer.

Essas iniciativas podem parecer todas muito pequenas e cujos resultados virão apenas no médio e longo prazo. No entanto, da mesma forma que meu mentor e ex-chefe Durval Vieira de Freitas provou ser possível com o PDF décadas atrás, é esse trabalho de formiguinha, de empresa em empresa que traz resultados duradouros. Temos uma nova oportunidade para aqueles que desejam ocupar um local de destaque no cenário estadual e até nacional. Mas é preciso agir. Afinal, o médio e longo prazo chegam mais rápidos para quem começa primeiro.

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